DAYANE LIMA NUTRICIONISTA

DAYANE LIMA NUTRICIONISTA

20 de agosto de 2010

Biografia de Marina Silva traz capítulo sobre Hildebrando Pascoal; leia trecho

Biografia apresenta detalhes da vida, o pensamento e a fé da presidenciável
Biografia conta as dificuldades vividas pela presidenciável
Em formato de livro-reportagem, "Marina: A Vida por uma Causa" (Mundo Cristão, 2010), elaborado e escrito pela jornalista Marília de Camargo César, é a biografia da presidenciável.
O volume dedica um capítulo ao caso Hildebrando Pascoal. Acusado de torturar e matar o mecânico Agilson Santos Firmino, o coronel reformado da PM e ex-deputado marcou negativamente a história do Estado. O crime, por sua brutalidade e repercussão internacional, não poderia ser esquecido em um trabalho como este.
Com prefácio do cineasta Fernando Meirelles, além de narrar os problemas de saúde a conversão à fé evangélica, conta a trajetória da menina que cresceu em um seringal, aprendeu a ler na adolescência e tornou-se senadora e ministra.
Leia um trecho do capítulo sobre o caso Hildebrando Pascoal. 

CAPÍTULO 15
a cosa nostra amazônica
Em setembro de 2009, uma carta assinada de punho por um assassino foi parar nas mãos do jornalista Altino Machado. E não se tratava de um assassino qualquer. Era o nosso Jack, the Ripper, o Darth Vader acriano, ele mesmo, Hildebrando Pascoal: o coronel da PM e ex-deputado federal que fatiou o mecânico Agilson Firmino dos Santos com motosserra, em 1996. O trabalhador foi esquartejado, segundo consta, a mando de Hildebrando, porque teria ajudado o assassino do irmão do coronel a fugir da cidade.
Foi um imbróglio digno de cinema, que fazia parte das perseguições e vendetas do esquadrão da morte, uma organização criminosa que deu as cartas no Acre durante boa parte da década de 1990. Hildebrando era a cosa nostra amazônica em sua melhor forma.
No texto da carta, "Hildebrando, the Ripper" solicitava cobertura da mídia para seu novo julgamento, que ocorreria em alguns dias. Altino, um dos repórteres mais conhecidos do Acre, foi quem primeiro noticiou o crime da motosserra, quando era correspondente do Jornal do Brasil.
Em sua mais recente condenação, naquele mês de setembro, o Tribunal do Júri do Acre sentenciou o esquartejador a 18 anos de prisão pela morte de um homem com tiros na cabeça após refinada sessão de tortura, em que a vítima teve os olhos perfurados, pernas, braços e pênis amputados com motosserra, além de um prego cravado na fronte. Juntas, suas penas somam mais de cem anos de prisão e ainda há processos pendentes de julgamento.
Dez anos antes, a notícia sobre a captura de Hildebrando repercutira internacionalmente. Altino seguiu na cobertura jornalística, obtendo a primeira entrevista exclusiva com o ex-coronel antes de ser encerrado atrás das grades. Altino relata a tarde em que Hildebrando entrou na redação e obrigou uma colega jornalista a comer a página do jornal com a matéria assinada por ela sobre as atividades do esquadrão da morte, no Acre. Eram tempos de horror, de pânico, em que a população vivia sob a constante ameaça de bandidos, da selvageria associada à corrupção policial e ao narcotráfico.
Mas "Hildebrando Vader" ainda demoraria alguns anos para tornar-se mundialmente famoso quando Marina Silva, sem vigor para grandes lutas, retomou seu assento na Assembleia Legislativa, após o nascimento da filha caçula.
Mesmo sem muitas perspectivas, ela e um amigo de militância, o deputado federal pelo PT, Nilson Mourão, conseguiram articular-se com deputados da ala progressista do PMDB para encaminhar alguns avanços no pouco tempo em que ela estivera na ativa no Legislativo estadual. Trabalharam ao lado de João Correia - que mais tarde se tornaria opositor ferrenho à administração do PT, do ex-deputado Said Filho e de Adalberto Ferreira.
Uma das bandeiras da deputada era pelo fim da aposentadoria para ex-governadores, projeto pelo qual lutou mas que só seria aprovado no governo seguinte. (Ironicamente, durante o governo petista de Jorge Viana, os pagamentos foram restabelecidos. Dos três deputados do PT, apenas Naluh Gouveia votou contra a retomada da aposentadoria.)