26 de novembro de 2010

Sarney e Collor ignoram José Serra no plenário


Fotos: Geraldo Magela/Ag. Senado
Na Mesa, Collor e Sarney ignoraram Serra, que, no plenário, recebia cumprimentos de oposicionistas e senadores da base aliada
Eduardo Militão

Criticados pelo PSDB durante a campanha eleitoral, os senadores e ex-presidentes da República José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Collor (PTB-AL) ignoraram a presença do candidato tucano ao Palácio do Planalto, o ex-governador José Serra. Ex-senador, o adversário derrotado por Dilma Rousseff (PT) nas últimas eleições entrou no plenário do Senado pela porta principal dos fundos e lá ficou cerca de 20 minutos.

Na campanha eleitoral, o PSDB veiculou inserções criticando Dilma por ser aliada de Sarney e Collor, o que chegou a causar irritação até do presidente do PTB, Roberto Jefferson, que bancou o apoio do partido aos tucanos. A família Sarney se ressente de Serra, por considerá-lo culpado pela exibição das fotos com dinheiro apreendido pela Polícia Federal em 2002 na empresa Lunus, o que implodiu a pré-candidatura de Roseana Sarney à Presidência naquele ano.

No início da noite desta quarta-feira (24), ao entrar no plenário do Senado, Serra esteve ao lado de vários senadores da oposição e até da base aliada, como Paulo Paim (PT-RS). Enquanto senadores registravam no microfone a presença de Serra, o presidente do Senado nada dizia.

Presidindo a sessão, Sarney não anunciou a presença do tucano, contrariando uma praxe na Casa sempre que há visita de autoridades ou figuras conhecidas, nem disse uma única palavra. Ao lado dele estava Fernando Collor, igualmente em silêncio. Entre um registro e outro feito por outros colegas de plenário, Sarney chegou a dizer: "Vou anunciar o resultado da votação".

Enquanto o tucano conversava e cumprimentava, a senadora Marina Silva (PV-AC) passou ao lado dos jornalistas. A candidata à Presidência falou rapidamente e saiu do plenário.

Passados alguns minutos, Sarney deixou o plenário, mas não pela porta que havia servido de entrada para Serra, e que leva mais facilmente ao gabinete da Presidência do Senado. Usou a saída da Mesa, mais discreta.

Collor permaneceu na Mesa. Por vezes, olhava firmemente para Serra, que continuava a conversar e cumprimentar colegas pelo corredor do plenário. O tucano saiu do plenário pela porta lateral, utilizada pelos jornalistas.

Lá fora, Serra concedeu outra entrevista em que fez novas críticas ao presidente Lula. Ele refutou a acusação de que explorou politicamente o acidente aéreo da TAM, em julho de 2007. Serra disse que foi ao local prestar solidariedade. “O Lula desapareceu.”

Serra ainda disse que foi o presidente – e não ele – que deixou de lutar para que São Paulo fosse incluída como cidade-sede da Copa do Mundo de 2014. Segundo o tucano, Lula fez várias promessas, inclusive ao São Paulo Futebol Clube, dono do estádio do Morumbi, “e depois tirou o time”. O comitê organizador da Copa descartou usar o Morumbi na abertura do mundial de 2014 e estuda criar um novo estádio na cidade, com apoio do Corinthians.

Ao final da conversa com os repórteres, Serra se dirigiu ao chamado Túnel do Tempo, a caminho do corredor dos gabinetes dos senadores. Lá, encontrou o senador Mão Santa (PSC-PI), crítico do governo Lula e derrotado na disputa pela reeleição. Com um abraço forte, Mão Santa disse a Serra em voz alta: “Pior que o sofrimento de perder é a vergonha de não ter lutado”.
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