1º DE MAIO, DIA DO TRABALHO

JOVENS E O MERCADO DE TRABALHO - (Edmilson Sanches)
Todo ano cerca de 1,9 milhão de jovens chega à idade de ingressar no mercado de trabalho no Brasil. Desses, 60 mil estão no Maranhão, quase 10 mil em São Luís e cerca de 2,5 mil em Imperatriz. É 1% da população, que precisa, só ele, de quantidade correspondente de postos de trabalho. Por ano. 

E, decididamente, não dá para ser falsamente otimista ou ser irrealista: o País, o Brasil, o Estado e seus municípios não estão gerando suficientes oportunidades que possam absorver tal contingente  de novos trabalhadores, que anualmente se forma. 

Todos estamos sendo espectadores e, para muitos, vítimas de um processo mundial, planetário, chamado globalização, mundialização. Pessoalmente, sou da opinião de que, se essa palavra já se gastou, o processo, não —  é ele que nos desgasta.Globalização é a sincronização dos eventos econômicos, sociais, culturais em todo o mundo.

É a simultaneidade, o caráter instantâneo dos acontecimentos nos diversos locais do mundo. E como isso se reflete no mercado de trabalho, tema deste artigo? 
Ora, qualquer coisa que tenha poder de irradiação para as diversas partes do mundo tem possibilidade de, por sua exposição e quantidade, ser vista e, se for mercadoria, ser comprada.  

Para atingir tal grau de visibilidade, uma mercadoria, no caso, precisa ser produzida em grande quantidade e ter preço acessível, compatível com a expectativa que se tenha ou que o produto gere.  

Por sua vez, para ter quantidade e preço (a qualidade é implícita, embora nem sempre existente), é necessário elevado grau de produtividade. E a produtividade, normalmente, tem lastro ou na tecnologia ou na força de trabalho de baixo custo. 

Assim, o mercado de trabalho se alterou profundamente nos últimos anos, com a entrada em grande escala de produtos estrangeiros de qualidade superior (e, também, sofrível) a preços acessíveis. Roupas, tecidos, pequenos acessórios e utilidades, brinquedos, e até coisas maiores praticamente “invadiram” o Brasil. 

Hoje, não há uma só residência onde não exista algum produto importado, do artigo sofisticado, de altíssima tecnologia, a uma bugiganga tipo “um-e-noventa-e-nove”. De alguma maneira esses produtos, se dão aos seus compradores alguma satisfação inicial, também estão afetando, sob o ponto de vista da economia nacional, o mercado de trabalho.  

O município de Imperatriz precisa criar todo ano cerca de 2,5 mil novos empregos, apenas para os jovens que chegam à idade de trabalhar. Se esses jovens não encontram trabalho, vão-se somar aos milhares de jovens dos anos anteriores, que também não têm ocupação econômica, vão-se juntar aos jovens que estão em subempregos, em empregos informais, em atividades precárias e, pior, à vadiagem, quando não à marginalidade. É a tal coisa: cabeça vazia, oficina do Cão. 

Os Poderes municipais não têm políticas públicas para pôr em execução uma adequada política de atração de investimentos, de captação de recursos, de constituição de novos empreendimentos. 

A iniciativa privada, sozinha, mal consegue manter o quadro de pessoal que tem. E, pelos editais de proclamas publicados na Imprensa (estou acompanhando isso, estatisticamente), quem está se casando oficialmente em Imperatriz é, na maioria absoluta e superlativa, gente com atividades econômicas precárias, de pouca qualificação. A nubente (a mulher), então, geralmente é qualificada como “do lar”, “doméstica” ou “estudante”. 

O que isso quer dizer? Se administradores públicos locais tivessem visão de futuro e prática de planejamento estratégico poderiam prever que, sem maior formação, sem mais informações, em situação de pobreza, esses casais têm um enorme potencial para fazer filhos, muitos filhos, filhos além da conta ou da média nacional, de cerca de dois descendentes.

O Poder Executivo municipal tem de se organizar para preparar-se para o impacto nas contas públicas e na vida social. Mais gente significa mais necessidade de leitos hospitalares, de vagas escolares, mais postos de trabalho e, infelizmente, mais vagas prisionais. A pobreza, a miséria têm alto custo para administrações públicas, inclusive as despreparadas e apáticas. 

Que outros fatores, que outras condições se impõem para que, no Brasil, em Imperatriz e em todo canto, os índices de desemprego e de pobreza estejam tão elevados e estejam castigando tanto as populações, em especial os mais jovens?  

Além da chegada anual desses milhares de jovens à idade de trabalho, outros motivos colaboram para que as dificuldades no mercado de trabalho se ampliem. 

Um desses fatores é a redução da capacidade de investimento do setor público. Ou seja, os Governos (federal, estaduais e municipais) estão, cada dia mais, com menor disponibilidade financeira e disposição política para serem os grandes construtores de obras e os grandes, senão maiores, empregadores. Empresas estatais foram vendidas, órgãos públicos são extintos — enfim, como se diz, a máquina (à exceção de recentes destemperos do Governo Federal) vai ficando mais “enxuta”, o Estado vai ficando, mais e mais, “mínimo”. Nesse processo, muita gente foi e ainda é demitida e vai competir com outras pessoas desempregadas ou subempregadas. 

Um terceiro fator é a TECNOLOGIA. Máquinas estão substituindo a força de trabalho de milhões de pessoas em todo o mundo. E se o empreendedor, o empresário, não fizer isso, se não modernizar seu processo de produção, seu concorrente o fará  — e, aí, não serão somente os empregados, mas o próprio empresário, quem estará em situação difícil. Outro fator é o CUSTO BRASIL, que, em razão da alta carga de impostos, taxas e outras extorsões oficializadas, dobra a despesa que as empresas têm quando contrata um funcionário “com carteira assinada”.

De maneira simples, é mais ou menos assim: o empregador contrata um, mas paga o custo de dois. Isso desestimula a contratação formal e empurra empresas e pessoas para a informalidade e a ilegalidade. 

Também temos a QUALIFICAÇÃO e a EDUCAÇÃO. Sem informação, sem formação, sem treinamento permanente, sem educação contínua, fica difícil até para se entender as novas linguagens que o mercado de trabalho está exigindo, entre elas, a informática, o inglês. (EDMILSON SANCHES) 
JOVENS E O MERCADO  DE TRABALHO - (2ª parte) - Edmilson Sanches   
Se no texto anterior fomos um pouco mais “técnicos”, agora, dirigindo-me diretamente aos jovens, é hora de falar de esperanças. 
Com certeza, vocês, jovens, durante muito tempo ainda terão mais condições de enfrentar a luta por uma vaga no mercado de trabalho, apesar de tudo o que falei na semana passada. 

Eu já pertenci a uma categoria em quase-extinção: o bancário. O que me "salvou" foi o fato de que eu trabalho com e estudo sobre Administração, Comunicação, Desenvolvimento Regional, entre outras “gramáticas” do ser humano  — e esses conhecimentos interdisciplinares (ou, melhor, transdisciplinares) são um instrumental de que Empresas e pessoas, o mundo, ainda vão precisar durante muito tempo, senão sempre. 

Se me perguntassem qual a profissão que eu recomendaria a um filho meu, eu diria, sem querer fazer média, que ele deve seguir o que seu coração pede, o que seu talento revela, para aonde sua vocação o empurra. 
Porque quem descobre essas coisas já tem parte do caminho andada. Compete a mim, como pai, dar o apoio, o suporte e, se for o caso, auxiliar na reorientação, se o primeiro impulso não foi o definitivo nem o correto.  

Agora, se me perguntarem quais as profissões que, hoje, o mercado de trabalho está privilegiando, eu responderia que são aquelas em que a pessoa é altamente competente e diferenciadora. Mas, para apontar algumas profissões que acho particularmente interessantes, relaciono algumas, baseado em leituras e reflexões.  
A Engenharia de Sistemas, ou Engenharia de Computação, ou Engenharia Eletrônica são profissões que se entrecruzam e têm vasto campo, agora e sempre. Não esquecer as profissões ou atividades ligadas ao mundo da Internet.  

A Oceanografia também vai-se impondo, pois o mar a cada dia confirma-se como um vasto campo de trabalho. Afinal, dois terços do planeta Terra são águas. E é nos mares onde já se estudam soluções para problemas como alimentação, medicamentos e, até, local para habitação. 

Engenharia Ambiental, Turismo e Entretenimento são outras grandes opções, pois tem tudo a ver com a vida moderna e o moderno discurso, as preocupações, até mesmo, de qualidade de vida e de sobrevivência. 

A Medicina continuará com seu velho e eficiente charme e continuará avançando, com a inabdicável participação, entre outras, da Física, da Química, da Engenharia e das micro e nanotecnologias. Só precisa que os recém-formados se voltem para o interior, onde ainda há municípios onde não existem médicos. 

O Direito é de interesse permanente. Quanto mais se anulam as fronteiras e barreiras da Geografia, da Língua, da Economia, mais se fortalecem as trincheiras da Lei e da Justiça. Desse modo, o Direito Internacional Público e o Direito Econômico ligado às coisas e causas das Exportações parecem-me especialidades razoáveis para quem queira estar bem situado ainda nessa primeira década do terceiro milênio. Também o Direito ligado às questões “imateriais”, como o Direito à Própria Imagem, o Dano Moral, o Direito Intelectual. 

Claro, não poderia omitir áreas como Comunicação, Administração e a família “psi” — Psicologia, Psicanálise, Psicopedagogia, Psiquiatria —, inclusive quando essas disciplinas se voltam para o estudo do ser humano nas organizações: Psicologia Empresarial, Sociologia Organizacional, Comunicação Empresarial etc. e tal.
Não podem ser esquecidas as profissões e atividades ligadas à produção de alimentos, como a fruticultura, o agronegócio.  

Enfim, são diversas as opções, pois a diversidade da vida e a evolução humana implicam inúmeras necessidades, a serem satisfeitas por um conjunto cada vez mais diverso de profissões. Há uma série de publicações no mercado (guias e manuais de orientação vocacional, revistas infanto-juvenis) que trazem informações detalhadas. 

Independentemente de qual profissão os jovens queiram seguir, é preciso desde já começar a se preparar. Estudem Informática. Se dispuserem de tempo, participem de cursos de pós-graduação, de cursos profissionalizantes, de cursos livres de atualização.
Dominem, pelo menos, Inglês e Espanhol. E, claro, falem muito bem a própria língua  — o Português. 

Descubram o mistério das comunicações interpessoais.
Aprendam a ser “gente”, isto é: agente... inteligente... 

Sejam muito bem informados. Leiam. Leiam muito. Livros, revistas, jornais, Internet.
Escrevam. Pratiquem redação. Saibam falar, se apresentar. O mundo do trabalho e as pessoas em geral sempre abrem espaço para os que se comunicam bem. Insisto: dominem as técnicas de comunicação, de auto-apresentação, de entrevistas de emprego, de falar em público, de conversar agradavelmente com seus interlocutores.

Hoje, há mais necessidade de gente que se comunica do que de quem calcula (este serviço, as máquinas o fazem com mais credibilidade, higiene, rapidez... e sem cobrar hora extra). 

Conheçam este pequeno mundo que nos rodeia: suas diferenças culturais, suas etnias, costumes, hábitos, virtudes e vícios. Respeitem. Muito respeito, muita sensibilidade, muita antena ligada para saber até aonde ir. A vida moderna está tornando as pessoas muito ultraleves, hipersensíveis. Por isso, qualquer pisada de bola, qualquer mau jeito, qualquer excesso, qualquer descuido... e é a sua imagem que vai junto, não importa a competência que você tenha. 

Como se dizia, olho vivo e faro fino! 
Cuidem bem da mente, do corpo e da alma. Para a mente, inteligência. Para o corpo, exercícios físicos. Para a alma, oração, reflexão, meditação  -- que ninguém é de ferro.
Já que somos mesmo obrigados a pensar, vamos pensar grande. Vamos pensar boas coisas e potencializar energias para a realização dessas coisas. 

Se Vocês, jovens, assim procederem, poderão ser não somente futuros profissionais, mas, sobretudo, serão profissionais de futuro.
Mudem o mundo para melhor e o entreguem aos seus herdeiros menos ruim do que o receberam de nós.
Muito esforço, muito estudo, boa sorte e felicidades!  (EDMILSON SANCHES)
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