24 de março de 2012

Piquiá de Baixo: uma luta e muitos sonhos


População comemora resultado de julgamento para desapropriação de terreno
 
Essa terça-feira foi de comemoração para os moradores de Piquiá de Baixo, em Açailândia (MA). Foi confirmada a legalidade da desapropriação do terreno para o reassentamento das famílias que há anos sofrem os impactos socioambientais provocados pelo polo siderúrgico de Açailândia. São mais de 350 famílias que sonham com a possibilidade de melhores condições de vida. Na manhã da terça-feira (20) a 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) manteve a decisão que garante um local onde serão construídas novas habitações para a comunidade de Piquiá de Baixo.
 “É uma luta”, assim relata a maioria dos moradores que vivem em meio à poluição causada por várias empresas instaladas na região de Piquiá de Baixo.  Em frente às casas, indústrias siderúrgicas, ao fundo, a linha ferroviária. Uma realidade que muitas famílias vivenciam, é o exemplo de Antônia da Silva, dona de casa que já esqueceu quando chegou ao local pela primeira vez. “Faz tanto tempo, que eu nem me lembro mais”, relata com um olhar para o chão.  
            A população de Piquiá precisa encontrar alternativas para se proteger de uma lista interminável de agressões.  De acordo com o relatório “Quanto valem os direitos humanos”, pesquisa realizada pela Federação Internacional dos Direitos Humanos, Justiça Global e Justiça nos Trilhos, o cotidiano dos moradores é descrito a partir de um contexto com muita poluição, péssimo atendimento hospitalar, descaso para com os pacientes, falta de limpeza pública, ausência de ações sociais, dentre outros problemas citados.
            Olhares tristes e desmotivados, é que se percebe numa breve conversa com os moradores de Piquiá de Baixo.  Pessoas humildes, idosos, jovens e crianças encontram-se doentes e há décadas relatam as mesmas causas: a poluição das grandes empresas. Pais e mães de família já morreram, outros foram embora. Atualmente mais de 350 famílias ainda são obrigadas a permanecer no local, por não ter alternativas.


Novos sonhos
Com o resultado do julgamento realizado na última terça-feira (20), muitos moradores voltaram a alimentar novos sonhos. “Eu não acreditava na conquista do terreno, por isso eu estava triste, agora estou mais conformada, estou alegre”, declara dona Antônia da Silva.  
Desde a década de 1980, cinco siderúrgicas passaram a funcionar em frente ao bairro Piquiá de Baixo. Com isso o povo começou a lutar contra a poluição, foi criada a Associação de Moradores para dar maior representatividade à população que organizaram manifestações, abaixo-assinados e mobilizações com o objetivo de cobrar os direitos à moradia de qualidade, saúde e dignidade.
  Com a notícia de que poderão ser reassentados para outro local, os moradores, principalmente aqueles mais engajados em mobilizações, demonstraram motivação e alegria com a conquista. “Faz tempo que estamos esperando por essa decisão, agora estamos alegres, agora acreditamos que vai dar tudo certo”, relata Adelson Ferreira do Nascimento, 78 anos, fiscal da Associação de Moradores do bairro. 

Assessoria de Comunicação
Rede Justiça nos Trilhos
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