22 de junho de 2012

Carta aponta suposta localização do corpo de Eliza Samúdio


          Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte
Mãe de Eliza mostra carta que recebeu com a suposta localização do corpo da filha
 
A mãe de Eliza Samudio, a dona de casa Sônia de Fátima Moura, disse ter recebido uma carta nesta quarta-feira que indicaria a possível localização dos restos mortais da filha, desaparecida desde o dia 10 de junho de 2010. Bruno, ex-goleiro do Flamengo, suposto pai do filho de Eliza, foi preso acusado de ter assassinado a estudante com a ajuda de comparsas. 
 
"A carta tem detalhes do local, que seria um poço dentro de um convento, ou algo parecido, em um bairro da região norte de Belo Horizonte (MG). Estou confiante porque a pessoa que escreveu foi muito firme, contou detalhes", disse.
O advogado assistente de acusação do caso, José Arteiro Cavalcante Lima, disse também ter recebido um telefonema com o mesmo endereço e detalhes descritos na carta. Arteiro afirmou que vai encaminhar um ofício à juíza Marixa Fabiane Lopes para que ela peça novas buscas no local.
"Vou enviar a carta também para a polícia. É o mesmo local descrito tanto na carta quanto na ligação. Há uma chance grande, vamos ver", completou Arteiro. O lugar descrito é próximo ao Parque Lagoa do Nado, onde a polícia chegou a realizar buscas em uma lagoa.
Dois anos depois do sumiço de Eliza, ainda não há vestígios do corpo ou restos mortais dela. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, é acusado pela Justiça de ser a pessoa quem a estrangulou e depois esquartejou. Os restos teriam sido jogados para cães comerem.
Entretanto, a mãe de Eliza não crê na parte final desta versão: "Acredito que foi ele, a mando do Bruno, com ajuda do Macarrão, com a omissão da Dayanne, mas não acredito nessa história dos cães", disse.
Sônia, que está em Belo Horizonte com o neto, o suposto filho de Bruno, revelou que já até escolheu um caixão e providenciou detalhes do funeral de Eliza, caso o corpo seja encontrado: "Quero apenas enterrar (em Campo Grande-MS) minha filha, até para o meu neto ter uma referência de onde a mãe dele está. Ele sabe que ela não está conosco mais, mas quando crescer vai querer saber mais da mãe", afirmou.
O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A então mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.
No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.
No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.
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