DAYANE LIMA NUTRICIONISTA

DAYANE LIMA NUTRICIONISTA

31 de outubro de 2016

ETANOL FEITO DE BATATA DOCE JÁ É UMA REALIZADE, E PODE BENEFICIAR MUNICIPIOS MARANHENSES

Senhores prefeitos, senhores secretários de agricultura, senhores empreendedores, conheça essa alternativa ecologicamente correta que tem o propósito social de beneficiar a agricultura familiar e gerar emprego e renda em seu municipio.


O Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo (atrás apenas dos Estados Unidos), e o maior exportador. Aproximadamente 25% de todo o álcool combustível produzido no mundo sai das usinas brasileiras. O país é considerado o mais eficiente na produção de combustíveis renováveis, graças ao potencial do etanol obtido através da cana-de-açúcar. O método BR é duas vezes mais efetivo, em volume de produção por hectare, que o do líder mundial na produção do combustível. As usinas de etanol de milho, dos Estados Unidos, geram entre 3 a 4 mil litros de álcool por hectare plantado. As do Brasil entre 7 e 8 mil litros por hectare de cana.
Some a viabilidade técnica do método brasileiro, à legislação que obriga o aditivo de até 25% de álcool na gasolina e ao sucesso da indústria automobilística nacional com os carros flex. Tudo isso faz do etanol uma potência do agronegócio brasileiro, com amplo mercado e boa rentabilidade. Mas não é para todos.
Uma empresa do Mato Grosso resolveu investir nessa área, e hoje já estar colhendo os primeiros  frutos.  Sua  planta industrial  localizada na região conhecida como Barreiro, às margens da BR-163. São 2 mil metros de área construída. A usina é do tipo “flex”, podendo ser ajustada para produzir biodiesel ou álcool. A capacidade nominal é para 100 mil litros de biodiesel ou 50 mil litros de etanol hidratado por dia.
A planta iniciou a operação em caráter experimental, com uma capacidade para 8 mil litros de etanol por dia. O começo das operações foi com o milho, cereal abundante no município. Mas o objetivo é fazer a usina rodar com batata-doce, o que torna o projeto ainda mais interessante.
Operando com milho, a usina produz 400 litros de etanol por tonelada do grão. Em termos de conversão, o cereal é bem mais rentável que batata-doce, que gera 160 litros de álcool por tonelada. A vantagem está no custo da produção.
Operando com milho, o custo do litro de etanol produzido é de R$ 1,25, considerando o preço médio do grão a R$ 20,00 a saca. O problema é que o preço do milho já não é esse na região. Com a saca cotada a R$ 35,00, o custo do litro produzido é de R$ 1,75.
O valor de venda de etanol, da usina para distribuidora, em janeiro de 2016, era de R$ 2,20. Embora na conta o milho ainda seja opção uma rentável, o negócio se torna melhor com a batata-doce.
Rodando com milho, o principal custo da usina é justamente a matéria prima, e o segundo o vapor (cavaco), que corresponde a 15% do que é gasto com o grão. Com batata-doce, o custo de produção sobe, devido aos produtos químicos e enzimas que farão a quebra do amido. Mas a despesa com matéria prima cai em 60%.
Um litro de etanol obtido através da batata-doce custa para a usina R$ 1,07, ou seja,39% a menos que o mesmo produto extraído do milho. Outra vantagem é que na atual configuração sua usina consegue produzir 12 mil litros de álcool por dia utilizando batata-doce. No milho essa quantidade cai para 8 mil litros dia.
Em uma conta simples, operando ao longo de 20 dias, esse tipo de  usina de etanol  gera um lucro de R$ 72 mil utilizando o milho como matéria prima. Se a produção for com batata-doce, o lucro salta para R$ 270 mil – quase 4 vezes mais.
Para conseguir manter a usina apenas com batata-doce é preciso primeiro desenvolver essa cadeia produtiva. Embora pareça, em uma primeira análise, que isso é interessante apenas para o dono da indústria, motivar essa nova cultura pode ser uma grande oportunidade para a agricultura familiar, que na região é economicamente achatada com a concorrência das commodities. Pois plantar batata-doce, não é bom apenas para a indústria.
A raiz utilizada para a produção de álcool é chamada de BDI (Batata-Doce Industrial). Diferente da variedade que ocupa as gôndolas de supermercado, a BDI é rústica, disforme e com um tamanho desproporcional – a maioria não caberia em uma panela. A batata-doce Industrial não aparência, mas tem conteúdo. Conforme Aldo, a variedade tem alto teor de amido, o que é fundamental para a extração de álcool, além de ser bem mais produtiva que a convencional.
Em campos experimentais implantados em Mato Grosso, simulando as condições da agricultura familiar, a BDI teve uma produtividade média de 60 toneladas por hectare. Ela possui um ciclo de produção que oscila entre 4 e 5 meses, o que permitiria duas safras no ano. Além disso, é possível adiar a colheita em até um ano, sendo que após colhida a raiz aguenta até 2 meses. No modelo de produção da agricultura familiar ainda é possível utilizar as ramas para alimentação do gado leiteiro.
As BDI’s foram desenvolvidas pela Embrapa e pela Universidade Federal de Tocantins. Já existem várias cultivares no Estado e a própria usina implantou um campo para a multiplicação, afim de fornecer ramas para quem quiser ingressar na atividade. O custo médio para o plantio da BDI é de R$ 1.650 por hectare. Existem implementos para mecanizar todo o processo, do plantio à colheita.
Foi feita uma simulação da atividade na agricultura familiar, tomando como base um módulo de 300 hectares, espaço de terra de alguns assentamentos da reforma agrária. Na conta , o que elevou o custo por hectare para R$ 2.950,00, incluindo o custo do arrendamento da terra, e considerou a produtividade média em 65 toneladas por hectare. O preço de venda da produção, nessa simulação, foi de R$ 80,00 a tonelada na lavoura, mas é possível chegar até R$ 104,00 a tonelada. Nessa conta, o lucro da safra foi de R$ 675 mil – uma média de R$ 2,2 mil por hectare.    .
Pesquisadores considera a batata-doce uma grande oportunidade para o desenvolvimento da agricultura familiar do Estado, algo que para acontecer depende da existência de usinas nesse perfil para absorver a produção. Seu Mato
Etanol doce
Esse tipo de usina de etanol implantada, seja operando com milho ou batata-doce, não gera resíduos nocivos ao meio ambiente. As usinas convencionais de etanol (cana-de-açúcar), geram como sobra da produção o “vinhoto”, e por isso são proibidas na Amazônia pelo ZAECANA.
O que sobra do processo de extração do álcool nesse tipo de planta industrial é um subproduto, rico em proteína, ideal para alimentação animal (suinocultura, bovinocultura, avicultura e até piscicultura). Cada tonelada de batata-doce gera 160 litros de etanol e 150kg de massa protéica, basicamente ração animal, com uma concentração de 28,5% de proteína. Caso a matéria prima seja o milho, a sobra é de 480 km de massa protéica por tonelada, sendo com uma concentração menor, de 12%. Ou seja, a batata-doce produz menos em volume, mas o subproduto no fim é mais vantajoso que o milho devido ao preço.
Agregando os ganhos com a venda do etanol e da massa protéica, estima-se que uma usina que produza 10 mil litros por dia, tenha um lucro médio de R$ 393 mil por mês operando com batata-doce. Processando o mesmo volume, 10 mil litros, com milho, o lucro médio cai para R$ 171 mil por mês – considerando o milho a R$ 35,00 a saca.
E quanto custa uma usina dessas?  Os preços das usinas de etanol são como um Fiat Uno e uma Mercedes. “Os dois te levam ao mesmo lugar”. Um custa R$ 30 mil outro custa R$ 300 mil. O valor de uma usina depende muito do padrão que o investidor quer, mas existem empresas sérias e com preços dentro da realidade.
Para implantar uma usina com capacidade de 10 mil litros de etanol dia, o investimento varia de R$ 3 milhões a R$ 10 milhões. Considerando o “meio da tabela”, R$ 6,5 milhões, com o lucro da produção simulado acima, o investimento se pagaria em um intervalo de 17 meses operando com batata-doce e em 38 meses com milho – tomando como base os valores do álcool no mercado, da matéria-prima e do custo de produção. 
Melhores informações: Zap Zap (99) 99122-7528
E-mail. extracoma@bol.com.br