21 de agosto de 2017

Bolsonaro lota Cine Nove de Abril e é recebido ao som de 'mito'

Durante evento, falou sobre sua pré-candidatura e disse que está de mudança           para o PEN;  manifestantes protestaram do lado de fora
Todos os lugares foram preenchidos e pessoas ainda ficaram do lado de fora por conta da lotação - Foto: Fábio Guimas.
Mais de 1,5 mil pessoas lotaram o Cine Nove de Abril no início da noite de hoje para um evento organizado pelo Movimento Vem Pra Direita, que contou com a presença do deputado federal e pré-candidato a presidência da República Jair Bolsonaro. Ele anunciou que seus dias no PSC estão contados e disse que aguarda de seus advogados o aval para ingressar no PEN, que mudará nome de Partido Ecológico Nacional para Patriota. “O limite longo é março do ano que vem. Se eu conseguir uma forma legal de sair assino no mesmo dia no PEN. Estou tentando uma forma jurídica sem perder o mandato”, disse, se referindo a uma janela dentro da legislação para que o PSC não peça seu mandato por infidelidade partidária.


Depois de muitas pessoas ficarem do lado de fora em virtude do Cine Nove de Abril ter atingido sua capacidade máxima, Bolsonaro foi recebido pelo público ao som de gritos como ‘mito’ e pedido para ele ser presidente da República. Enquanto isso, do lado de fora, manifestantes gritavam palavras como nazista, racista e homofóbico. Questionado pelo A VOZ DA CIDADE como definia a questão de ser amado e odiado por tantos ao mesmo tempo, Bolsonaro disse que é odiado por conta dos rótulos colocados nele, como racista, homofóbico, mas que não é nada disso.  

Ao longo de sua apresentação ao público, o político fez questão de falar sobre todos esses rótulos. “Temos tudo para sermos uma grande nação. Então quem será o presidente da República? Vocês são os patrões, vocês que devem conduzir a nossa nação”, declarou, sendo ovacionado. O deputado falou sobre a reforma política que está sendo discutida na Câmara Federal. Disse que se o modelo do “distritão” for aprovado 90% dos atuais senadores e deputados federais se reelegerão. A respeito do fundo público para campanha, declarou ser um absurdo, pois acredita que cada político deve usar seu dinheiro, não o da população.  

Jair Bolsonaro entrou nos temas polêmicos. Falou sobre a discussão de ideologia de gênero nas escolas de Ensino Fundamental e disse que o próximo presidente deverá analisar a instituição escolar. “Com todo o respeito, mas querem impor nas escolas, para o Joãozinho de seis anos que ele pode ser Maria se quiser e à Maria que pode ser João se ela quiser. A peça de homofóbico não cabe a mim. Tive a coragem de falar sobre o kit gay, comi o pão que o diabo amassou por isso, mas falei o que muitos não tiveram a coragem de dizer”, contou, completando que o Brasil precisa de políticos honestos, com Deus no coração e que seja patriota.

Falou ainda sobre a liberação do porte de arma, se for eleito presidente. “Pretendo liberar arma para quem quiser e dar ao homem do campo o fuzil. Eu não durmo em casa se não tiver arma ao alcance da minha mão e vocês deveriam ter o mesmo direito”, falou.

Sobre o fato dele ser racista, dizer que mulheres devem ganhar menos que os homens, declarou que não pensa dessa forma e nem tem esses comportamentos no seu dia a dia. Mencionou que o avô de sua filha é negro, que convive com pessoas afrodescendentes e que as pessoas não entendem que ele não concorda com as cotas porque todos são um só povo. “Por que um afrodescendente que tira seis na faculdade entra e um nordestino que tira nove não? Ambos são sofridos. Não é por esse caminho. Por que temos que dividir o Brasil em cor de pele, gênero, regiões? Somos iguais”, frisou.

Ao jornal disse que não está preocupado com votos, mas não deixará de falar o que pensa para ganhar simpatia.

FAMÍLIA BOLSONARO NO PEN
Flávio Bolsonaro estava no evento acompanhando seu pai. O deputado estadual disse ao A VOZ DA CIDADE que também sairá do PSC para acompanhar seu pai. Junto com eles também irão Eduardo Bolsonaro que é  deputado federal; Carlos Bolsonaro que é vereador do Rio de Janeiro; e Carlos Jordy, vereador em Niterói.  Todos são do PSC.

Sobre seu futuro político, Flávio disse que primeiro pretende resolver essa questão partidária, ainda é cedo para falar sobre as eleições, mas admitiu possibilidade de tentar uma vaga para o Senado ou para o Governo do Estado. 

CAROL MACEDO

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