25 de novembro de 2017

MARCO SCHROEDER RENUNCIA À PRESIDÊNCIA DA OI


Executivo travava disputa em torno do plano de recuperação judicial com acionistas. Com sua saída, Oi registra três presidentes que renunciaram ao cargo desde 2014.

O diretor presidente estatutário da Oi, Marco Schroeder, entregou carta de renúncia ao conselho de administração da companhia nesta sexta-feira, 24, segundo fontes próximas à empresa. O executivo era alvo de ataques de acionistas, que tentavam impor um plano próprio de recuperação judicial, diferente do que ele negociava com credores internacionais.

Há quase um mês surgiram os primeiros rumores de que o acionista Nelson Tanure, que detém pouco mais de 5% do capital da Oi através do fundo Société Mondiale, cogitava demitir Schroeder. Os rumores resultaram em reação da Anatel, que ameaçou intervir na concessionária caso o plano, de fato, fosse colocado em prática.


Em seguida, o conselho de administração nomeou dois novos diretores, de seu interesse. Conforme a regra estatutária da Oi, é preciso que dois diretores assinem o plano de recuperação judicial para que seja aprovado. Schroeder se recusava a assinar o plano proposto por Tanure e pela Pharol, maior acionista individual da Oi, com pouco ais de 22% do capital. Credores acionaram a Justiça, e obtiveram uma cautelar, para impedir que os novos diretores pudessem opinar sobre a recuperação judicial por conta do viés pró-acionistas que teriam.
Recuperação judicial

Schroeder deixa a Oi em meio a uma das maiores recuperações judiciais do mercado Brasileiro. A empresa tem endividamento da ordem de R$ 65 bilhões. Dias antes de entrar em recuperação judicial, em junho de 2016, o então presidente da empresa, Bayard Gontijo, também renunciou após pressões do controlador Pharol.

Nos últimos três anos, a Oi teve três presidentes. Antes de Gontijo, Zeinal Bava saiu da empresa após a descoberta de que ele autorizou a compra irregular de títulos de dívida da empresa Rioforte, que mais tarde decretaria falência e deixaria um rombo de € 897 milhões na conta de Oi e Portugal Telecom.

Em comum, Bayard e Schroeder negociavam com o credores uma saída para o endividamento que previa grande diluição dos atuais acionistas. Bayard sugeria trocar 95% da dívida do grupo por equity, enquanto Schroeder propunha 88%, depois reduzida para 85%.

Coincidentemente, nesta semana executivos da Pharol deram depoimentos à imprensa portuguesa e agências internacionais afirmando que ainda avaliam se vão, ou não, entrar no aumento de capital da Oi. A medida deverá ser feita para manter o caixa da empresa e como parte do plano de recuperação judicial.
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