LOURENÇO ANTÔNIO GALLETTI, 22 ANOS DEPOIS


Fotos: Lourenço Galletti, com a esposa, Maria das Graças, e a filha Geovana. E a fachada da escola pública que leva seu nome.
Por  Edmilson Sanches  veja clicando   AQUI.


Eu estava em Cotia (SP) em visita a empreendimentos, a convite de amigos que já haviam residido e investido em Imperatriz. Foi nessa cidade paulista, de 240 mil habitantes e de economia de mais de R$ 10 bilhões (PIB - Produto Interno Bruto), onde recebi um telefonema desses cujo conteúdo a gente em princípio não aceita (mas depois tem de se conformar): neste dia 11 de julho, em 1996, em um só momento, vítimas de acidente automobilístico, morriam o casal Maria das Graças e Lourenço Antônio Galletti e mais o filho pequeno Lucas. Uma tragédia.

Conheci razoavelmente o Lourenço Galletti. Ele até me convidava para ir à sua residência, próxima ao Estádio Frei Epifânio da Badia, em Imperatriz, e ali, descontraidamente, chegamos até a jogar tênis de mesa (pingue-pongue). Lembro-me também de seus irmãos Raphael Galletti, José Carlos, Pedro Lécio... Irmãos unidos, desenvolveram em Imperatriz e região um dos maiores grupos empresariais do Norte-Nordeste: Sunil; Irmãos Galletti; Gapsa; Gaisa; Gramacosa; Cesp, entre outros empreendimentos.

O jeito quieto, comedido, quase introspectivo do Lourenço parecia não combinar com o arrojo empresarial que tanto fizera crescer o grupo econômico.

Certa vez, sentindo-se agredido por notícias de ilegalidades nas terras das empresas, Lourenço pediu-me aconselhamento acerca do que fazer.

De pessoas simples a grandes empreendedores, costumo ser procurado por todos, que querem ser ouvidos por mim e que desejam uma opinião minha. Creio que a antena que cada ser humano tem ou é emite sinais que podem ou não ser "sintonizados" por outra pessoa. (Todos e tudo somos feitos de energia, diz o norte-americano Carl Sagan, um dos mais brilhantes cientistas do mundo, já falecido). Se a sintonia é sentida como fina, então a aproximação se faz.

Assim, em um dia de sábado, no escritório em um dos andares do Edifício do Bazar Ipanema, Lourenço Galletti abriu-se, contou-me muita coisa -- sua história, seus empreendimentos... Mostrou suas emoções. Chorou um choro contido. Verdadeiro.

Para a parte mais objetiva da longa conversa, "receitei" uma tomada de atitude incomum, inusual e, alguns diriam, até arriscada: convidar, sob as expensas do Grupo Galletti, representações das áreas jurídica, contábil, religiosa, de trabalhadores etc. para, em comitiva, terem acesso a locais, papeis, pessoas e o que mais fosse necessário.

Dito e feito. Recomendado e aceito. O convite, quase desafio, foi feito em documento publicado na Imprensa.

Parece-me que não houve resposta e, pelo que soube, por muito tempo o coração e a mente de Lourenço Galletti, em relação a isso, se aquietaram.

Nestes 22 anos de sua morte, acompanhado pela mulher e o filho Lucas, Lourenço Antônio Galletti talvez mereça ter sua história pessoal e empresarial estudada por acadêmicos de Administração, Economia, Contabilidade, Agronomia, Engenharia Florestal, Jornalismo, História...

Há uma verdadeira saga pouco revelada que pode contar como um brasileiro do Sudeste (Espírito Santo), descendente de italianos (possivelmente de Mantova/Mântua), embrenhou-se pelos rincões amazônicos, nordestinos e nortistas, e construiu, com os irmãos e demais familiares um grande grupo empresarial que teve destaque por pelo menos duas décadas nos diversos setores da economia.

O exemplo de empreendedorismo e de atividades sociocomunitárias (pouco divulgadas) de Lourenço Galletti recebeu alguns reconhecimentos, entre eles seu nome dado a uma escola pública (foto) e à unidade do SESI (Serviço Social da Indústria), em Açailândia (MA).

EDMILSON SANCHES


Fotos: Lourenço Galletti, com a esposa, Maria das Graças, e a filha Geovana. E a fachada da escola pública que leva seu nome.
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