Sob risco de não atender mais crianças, maior hospital de câncer do Maranhão ganha UTI pediátrica

Recursos do Instituto Ronald McDonald possibilitaram criação de espaço exigido por portaria do Ministério da Saúde; inauguração acontece no próximo dia 16 de agosto.

Com uma vida simples em Lagoa Grande, no interior do Maranhão, Susana Silva, 30 anos, recebeu em 2012 a notícia de que esperava os gêmeos Isaque e Isaías. Mas ela não imaginava que, dois anos depois, Isaque fosse lutar contra uma leucemia. E foi no Hospital Aldenora Bello (HCAB), único Centro de Alta Complexidade em Oncologia do Maranhão, que a história de Isaque teve um final feliz: Isaías, o irmão gêmeo, foi o doador de medula para o pequeno.


O trabalho bem-sucedido, realizado pela unidade de saúde, entretanto, esteve sob risco: caso não fosse construída uma UTI pediátrica, o local poderia deixar de atender crianças. Mas graças ao Instituto Ronald McDonald, não há mais motivos para preocupações. No dia 16 de agosto, às 16h, a instituição vai inaugurar no hospital um espaço com cinco leitos infantis de UTI e equipes pediátricas especializadas.

A exigência da UTI vem da Portaria nº 140 do Ministério da Saúde, de 27 de fevereiro de 2014. A medida redefine as condições estruturais, de funcionamento e de recursos humanos para habilitar os estabelecimentos de saúde oncológicos no Sistema Único de Saúde (SUS), de onde vem 85% dos recursos do HCAB. Ou seja, o cenário de não estar habilitado no SUS abalaria o hospital, que só em 2017 atendeu 507 crianças, com um total de 4.056 procedimentos.

A medida, porém, faz total diferença no tratamento, como alerta Francisco Neves, superintendente do Instituto Ronald McDonald, que há 19 anos aproxima crianças e adolescentes da cura do câncer: "É essencial tratar as crianças com câncer no ambiente delas, pois o paciente pediátrico não é um miniadulto e tem um sistema biológico singular".

Atendimento de qualidade
Além do espaço, o suporte de uma equipe de terapia intensiva pediátrica, considerando a gravidade dos pacientes oncológicos infantojuvenis, é necessário para possíveis complicações. 

Algumas particularidades, do ponto de vista anatômico e fisiopatológico, devem ser tratadas com atendimento especializado, condizentes com a faixa etária. Teresa Cristina Cardoso Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), reforça a importância da medida:

"A inauguração configura uma importante conquista no atendimento de qualidade na oncologia pediátrica. Estas adequações, além de outras ações, são necessárias e urgentes para aumentarmos as taxas de cura das nossas crianças e adolescentes com câncer".
O Hospital Aldenora Abello mantém ainda uma Casa de Apoio, onde Susana vive com Isaque há quatro anos. Durante o tratamento dos pequenos, o local hospeda famílias que não têm onde ficar em São Luís. Segundo dados da Fundação Antônio Dino, mantenedor do HCAB, somente no hospital são diagnosticados mais de 3.500 novos registros de câncer em crianças e adultos ao ano, o que representa mais de 50% do número de casos esperados para todo o Estado do Maranhão. No HCAB, são realizadas mais de 56 mil consultas, 900 cirurgias, 30 mil quimioterapias e 6 mil radioterapias por ano.

Assessora da presidência do HCAB, Silvia Dino destaca que essa parceria tem muita importância para a unidade, já que o Estado do Maranhão é um dos mais pobre do Brasil.

"O Instituto Ronald McDonald já nos proporcionou muitas coisas boas para as nossas crianças como, por exemplo, a Casa de Apoio, que compramos e reformamos com os recursos financiados pelo instituto. Só na Casa de Apoio realizamos por ano centenas de atendimentos".
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