Em hospital, menina de 12 anos recebe vaselina na veia e morre Polícia diz que já identificou auxiliar de enfermagem responsável pelo erro.

A polícia conseguiu identificar a auxiliar de enfermagem suspeita de causar a morte da menina Stephanie dos Santos Teixeira, de 12 anos, no Hospital São Luiz Gonzaga, na zona norte de São Paulo, após ter aplicado vaselina na menina, em vez de soro. Hoje, a foto da funcionária deve ser enviada ao 73º DP para que a mãe da vítima tente fazer o reconhecimento fotográfico. A morte de Stephanie também mobilizou o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e o Conselho Regional de Enfermagem (Coren), que abriram sindicância para apurar o episódio. A Santa Casa de São Paulo, responsável pela gestão do hospital - referência de atendimento na zona norte -, também investiga o caso.
Desde a morte de Stephanie, ocorrida no sábado, a polícia ouviu cinco funcionários, entre eles uma médica, uma enfermeira e um segurança. Os três se recusaram a fornecer informações sobre o paradeiro da auxiliar e vão responder pelo crime de favorecimento pessoal.
Segundo o boletim de ocorrência, policiais foram ao hospital para investigar o caso, mas "todos os funcionários abordados, claramente com objetivos escusos, não fizeram questão alguma de colaborar no sentido de fornecer documentação e nome dos funcionários envolvidos".
Na manhã de anteontem, a mãe de Stephanie, Roseane Mércia Teixeira, foi ouvida por duas horas e disse aos policiais que viu o vidro de soro fisiológico vazio ser substituído por outra substância. Hoje deve começar mais uma série de depoimentos. Ao todo, 14 funcionários serão ouvidos até a próxima semana, incluindo outros médicos e o diretor do hospital.
Dois frascos contendo vaselina líquida e soro fisiológico foram apresentados pela polícia, que afirma ter apurado que os potes são guardados em locais diferentes no setor pediátrico da unidade de saúde.
Doente - Stephanie chegou ao hospital apresentando vômito e diarreia. Na ala de pediatria infantil, recebeu na veia 50 ml de vaselina e começou a passar mal quando recebia a terceira bolsa da substância. Ela morreu oito horas depois.
Segundo a família, a garota sentiu formigamento na língua e fortes enjoos e ficou algumas horas no setor de emergência do hospital, até ser levada às pressas para a Santa Casa de São Paulo. Passou por reanimações cardíacas, mas não resistiu. Especialistas em toxicologia dizem que a vaselina líquida não se mistura ao sangue e causa obstrução ou entupimento de várias veias e artérias.
O caso foi registrado como homicídio culposo (sem intenção de matar). Em nota, a Santa Casa disse estar "consternada" com a morte da criança e afirmou ter afastado os profissionais envolvidos no atendimento da paciente até a conclusão das apurações. O presidente do Coren, Cláudio Porto, disse que o episódio está relacionado com a má formação dos profissionais de enfermagem. Segundo ele, os erros são cada vez mais frequentes nas unidades de saúde de São Paulo. "Temos mais de 400 processos desde 2008 no Estado."
Fonte: agencia estado