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O zagueiro do Palácio do Planalto e as acusações contra Dilma e o PT

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, dá um "bico" na bola sempre que as falcatruas do Petrolão chegam perto da área do governo

José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, transformou-se nos últimos tempos no grande defensor da presidente Dilma Rousseff. Numa linguagem futebolística, pode-se dizer que ele se tornou uma espécie de zagueiro titular de Dilma e do PT, do tipo que dá um "bico" na bola todas as vezes que ela chega perto do Palácio do Planalto, sem se preocupar em fazer jogadas de efeito ou em praticar o "futebol arte".
Assustado com o desenrolar das investigações do Petrolão, que colocam Dilma em corner, Cardozo parece mais empenhado em responder imediatamente a qualquer questão que possa “espirrar” em Dilma, para não deixar a oposição agir livremente, do que em apresentar fatos concretos para sustentar a defesa do governo e do PT. 

Nesta terça-feira, Cardozo antecipou-se ao julgamento das contas de campanha de Dilma pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e deu ele mesmo o veredito, ao dizer que elas estão corretas. Segundo o ministro, as irregularidades apontadas pelos técnicos do TSE, que recomendaram a rejeição das contas de Dilma, são “meramente formais”, seja lá o que isso significa.
Em vez de apresentar argumentos para sustentar sua tese, Cardozo age como o ex-presidente Lula na época do mensalão, quando afirmou que a corrupção no Brasil não era exclusividade do PT, em vez de responder às acusações feitas contra o partido. “Eu confio que o plenário do TSE irá aprovar as contas da presidente, até porque os argumentos que foram lançados pela assessoria técnica possivelmente vão levar, se acolhidos pelos tribunais regionais do país, à rejeição de todas as contas, porque os fatos que são colocados qualificam uma mudança no que vinha sendo feito até hoje”, afirmou ao jornal O Globo.
Cardozo também rebateu as acusações do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de que houve um “assalto à Petrobras”, bem como a sua recomendação de que o governo troque a atual diretoria da empresa, inclusive a sua presidente, Graça Foster, queridinha de Dilma. “A posição do governo é de que não há nenhuma razão objetiva para que os atuais gestores da Petrobras sejam afastados do comando da empresa”, disse.
Na semana passada, diante das informações coletadas pela Operação Lava Jato, de que parte do dinheiro da corrupção na Petrobras foi parar no caixa do PT e usado na campanha de Dilma em 2010, por meio de doações legais feitas ao partido pelas empreiteiras, foi Cardozo também o escalado para tirar a "bola” da área do Planalto. “Querem construir ilações que, evidentemente, não decorrem desses depoimentos”, afirmou. “O que temos visto é que com base nesses depoimentos estão surgindo teses absolutamente inverossímeis e absurdas a partir de coisas sequer ditas pelos delatores.”
No final de novembro, Cardozo já procurara minimizar as acusações contra João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, apontado como o elo do partido no Petrolão, segundo delatores do esquema. "Desde o primeiro ano de faculdade de direito aprendi que é indevido pré-julgar", afirmou o “professor” Cardozo, em defesa de Vaccari, aplaudido de forma entusiasmada pelos petistas durante evento realizado pelo partido dias antes em Fortaleza.
Logo depois das eleições, quando a oposição e milhares de eleitores antipetistas começaram a realizar manifestações em todo o Brasil pedindo o impeachment de Dilma, alegando crime de responsabilidade por sua possível participação no escândalo do Petrolão, Cardozo fez valer mais uma vez sua condição de porta-voz da reação oficial, ao dizer que a oposição estava tentando criar um “terceiro turno eleitoral”. “Eu repilo veementemente a tentativa de se politizar essa investigação. De tentar carimbar forças políticas ‘A’, ‘B’ ou ‘C’ para que se possa ter prolongamento de palanque eleitoral”, disse, na ocasião.
Com tanto empenho para defender Dilma e o PT, Cardozo alimenta o sonho de ser indicado para ocupar a vaga deixada por Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal (STF). Sua intenção, porém, parece que vai esbarrar no veto do PMDB, que já fez chegar a Dilma a informação de que, se ele for indicado, seu nome não será aprovado pelo Senado, a quem cabe a prerrogativa de analisar a questão.
Na folha corrida de Cardoso, consta também um pedido ao governo americano para que o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), aliado do PT no plano federal, fosse ouvido aqui no Brasil num processo que ele responde nos Estados Unidos, por evasão de divisas. Além disso, quando os mensaleiros do PT foram para o xilindró, Cardozo, curiosamente, resolveu criticar a situação dos presídios nacionais. "Se fosse para cumprir muitos anos na prisão, em alguns dos nossos presídios, eu preferiria morrer”, disse. Como zagueiro titular do time oficial, talvez Cardozo estivesse melhor no Ministério da Defesa.
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