Para Roseana Sarney “Imperatriz não gosta dela”


Alguns políticos quando improvisam em seus discursos, patinam na lamúria, onde uma piada mal aplicada traduz – ainda que no destoque da imagem pública – a dissonância da língua ante a rapidez do raciocínio.

Na inauguração da UPA em Imperatriz, a governadora Roseana Sarney (PMDB-MA) deixou escapar essa pérola: “Imperatriz não gosta de mim, mas eu amo Imperatriz”.

A cidade que nas últimas eleições para governo do estado conferiu ao falecido Jackson Lago mais de 70% dos votos, um percentual que nutre a idéia ilógica de Roseana, ainda que àquela eleição seja um reflexo, os altos e baixos da gestão Lago gerou uma pequena noção de como uma administração estadual pode fazer a diferença numa cidade. O imperatrizense sentiu isso, mesmo constatando rachadoras e morosidade na entrega das obras daquele governo.


A fala de Roseana pode ser irrelevante, porém é preocupante. Preocupa por ser passiva de uma interpretação pessoal de que seja verdade. E pior: seja algo que assessores desprovidos de qualquer postura do contra-argumento (afinal, recebe-se e paga-se pela concordância), alimentem a idéia de que não valem os esforços do seu governo em uma cidade que não retribui à altura.

O voto, a única retribuição que de fato interessa ao político, ainda é visto como mercadoria de troca. A ótica dessa afirmação não se espreita apenas pelo mandatário público, é uma purgação também do cidadão, beneficiado por uma Unidade de Pronto Atendimento, por exemplo.

A síndrome da esmola, a peleja dos recursos, os parcos investimentos e a tardança do desenvolvimento, faz crer que a máxima da “falta de amor do imperatrizense”, seja a dicotomia da falta de ação pública. Para nenhum simpatizante ou militante, esse entrave é um mero acaso de como as coisas são e devem continuar sendo.

Na civilidade política entre gestores, Roseana nunca recebeu o trato de um prefeito, como o faz Sebastião Madeira (PSDB-MA). Na ironia desse refluxo, nenhum prefeito imperatrizense recebeu tanta sala por parte da família Sarney, nem mesmo Ildon Marques (DEM-MA), o contrapeso da balança entre João Alberto (PMDB-MA) e Lobão (PMDB-MA) e, se a sombra lhe caiu bem por todos esses anos por parte da família, na prática não fez muita questão de politicamente corresponder à altura.
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