Será calote? PM denuncia telexfree e quer reaver dinheiro

Policial investiu R$ 2,9 mil, mas não recebeu nada de volta


Mikaella Campos, Rodrigo Lira e Vinícius Valfré

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Ao aceitar convite de um amigo para ganhar dinheiro rápido e fácil na internet, um policial militar de alta patente, que prefere manter-se no anonimato, não imaginava que, ao invés das cifras, ganharia insatisfação, desconfiança e aborrecimento.


À reportagem de A GAZETA e da Rádio CBN, o PM revelou que, depois de investir R$ 2,9 mil para virar divulgador da Telexfree – empresa investigada por suposta prática de pirâmide financeira –, estranhou o fato dos anúncios que publica para a empresa não levarem a lugar nenhum, e constatou que o serviço de telefonia VoIP simplesmente não funciona. Agora, ele quer a devolução do dinheiro que aplicou nos pacotes.

Por não ser o que esperava, o policial, então, fez queixas ao e-mail da Telexfree, mas elas não foram respondidas. Decidiu tentar resolver o problema na sede da empresa. Lá, porém, uma recepcionista disse que o problema só poderia ser solucionado por e-mail ou por quem o convidou. 

As experiências frustradas do policial reforçam as suspeitas da Polícia Civil de que a venda do serviço de VoIP e a publicação de anúncios da empresa na internet mascaram uma prática fraudulenta. As dúvidas, aliás, levaram à instauração de um inquérito policial, atualmente sob análise do Ministério Público do Espírito Santo.

A Telexfree diz que o seu site é o 50º em acessos no Brasil graças aos cerca de 2,3 milhões de anúncios diários publicados em sites por seus divulgadores. No entanto, em um site pouco popular, mas indicado pela empresa para as publicações (www.adfree.biz), os cliques dos internautas nas propagandas não são redirecionados nem para o site da Telexfree nem para a página com informações sobre o VoIP, que seria o principal produto da empresa. As dezenas de anúncios clicados ontem pela reportagem apenas exibiam mensagens de erro. 
Foto: Gazeta Online
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No alto, os anúncios publicados por divulgadores no site www.adfree.biz. Abaixo, a mensagem de erro que ocorre ao clicar na propagandas, que não levam a lugar algum
“Eu anuncio um produto que ninguém consegue comprar. Quando você clica em cima (do anúncio), leva para uma página que não dá em nada”, reclama.

O policial diz ainda que é raro conseguir completar um telefonema por meio do VoIP. Há um mês usando o serviço pelo qual paga US$ 49 dólares mensalmente, só conseguiu fazer duas ligações. 

A pedido do divulgador, a reportagem testou o sistema VoIP da Telexfree. A proposta seria fazer uma ligação para um aparelho celular da Rede Gazeta com o aparelho cadastrado pelo policial no sistema da Telexfree. Após duas tentativas e quase quatro minutos de espera na segunda, a ligação caiu em outro aparelho. O áudio não era nítido e a interlocutora não conseguiu ouvir o repórter. Assista ao teste abaixo:

 
“Como que eu vendo o VoIP? Não sei. Ninguém me explicou. A empresa se exime da responsabilidade. Estão vendendo um produto que não funciona e não presta para nada. Eu consegui falar somente duas vezes para a pessoa que eu liguei. E eu não consegui ouvir. É um eco enorme, chiava muito, dava muita interferência”.
A empresa, por sua vez, argumenta que o seu negócio principal não é a adesão de novas pessoas, mas sim a venda de VoIP. 
Empresa paga R$ 60 milhões por semana a divulgadores

O sócio da Telexfree afirma que reclamações feitas por divulgadores da empresa são pequenas no mercado. Segundo ele, quase todos os associados são remunerados pela empresa corretamente.

Em média, o grupo gasta, por semana, R$ 60 milhões para embolsar os associados que vivem da venda do VoIP, dos anúncios e do recrutamento.

“Não deixamos de pagar ninguém. Se a pessoa não recebeu, é porque fez algo errado. Ela pode ter anunciado de maneira indevida, pois o crédito entra de forma automática para todos os divulgadores”, afirma.

Costa acrescenta que a empresa sempre esteve disposta a atender todas as pessoas que compram os pacotes de VoIP, tanto para uso pessoal quanto para a revenda.

Ele também desmente a informação de que só as pessoas que recrutarem outros divulgadores poderão renovar o contrato com a empresa ao fim de um ano.

Quanto à qualidade do VoIP, Costa se diz surpreso com a queixa do consumidor, já que nenhum usuário até agora reclamou do serviço. “Estamos com as portas abertas para essa pessoa que diz estar com problema”.


Corrente é divulgada até em grupos religiosos

A corrente da Telexfree tem ficado cada dia mais forte, ao ponto de virar assunto nas igrejas e nos grupos religiosos. Divulgadores da empresa têm tentado recrutar novos integrantes para o sistema com a intenção de lucrar mais.

Além de serem remunerados com a publicação de anúncios na internet, os associados ganham por cada indicação que fizer.

O rebanho das igrejas e das comunidades religiosas acabam tornando-se  alvo de pastores, líderes e membros de grupos religiosos que tornaram-se divulgadores da Telexfree.

O presidente da Associação de Pastores de Vitória, Enoque de Castro Pereira, confirma que muitos representantes de congregações aderiram à Telexfree. “Se tudo estiver legalizado, não há problema nenhum a atuação de pastores. Eles só não podem usar o púlpito para chamar pessoas para o negócio. Tudo tem que ser feito fora da igreja”, diz.

Segundo o pastor, a Telexfree é uma empresa de marketing multinível semelhante à Herbalife, Amway e outras.

“Acredito que exista fraude quando as empresas recolhem dinheiro sem oferecer produto. No caso da Telexfree, acho que tudo deve ser averiguado, mas acredito que não exista problema, pois a empresa paga imposto e está regularizada”.

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