DAYANE LIMA NUTRICIONISTA

DAYANE LIMA NUTRICIONISTA

15 de fevereiro de 2017

Em carta aberta, população de Vila Velha conclama o povo contra orgia estatal


Vila Velha, 14  de fevereiro de 2017  

Passou da hora de a Sociedade Civil reagir. Passou da hora de acabar com esta orgia estatal, onde só eles gozam

O que está ocorrendo no Espírito Santo não é diferente do que ocorreu há poucos dias — e já esquecido — nos presídios Brasil afora. O que ocorreu nos presídios também não é diferente do colapso financeiro do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Tal colapso não difere da pane do Sistema Nacional de Saúde (SUS) ou da calamidade que aflige as universidades federais. Não, amigos, o país não quebrou. Quem quebrou foi o Estado brasileiro. Tamanhos gigantismo, ineficiência e corrupção agora cobram um preço. Caro! E quem pagará somos nós; outra vez.


O dinheiro que falta ao Espírito Santo para reajustar o salário dos policiais é o mesmo que faz a alegria dos deputados estaduais, secretários de estado e municípios, e igualmente dos juízes e desembargadores capixabas. Estas estruturas de poder seguem intocadas e… intocáveis! Carros de luxo novinhos, diárias de viagem, passagens aéreas ilimitadas, auxílios os mais diversos, benefícios os mais indecorosos. O dinheiro da população não retorna à população, mas, sim, segue direto para os privilegiados do poder.

Como seus carros são blindados e possuem seguranças, não temem a violência. Como usam os melhores hospitais, não preocupam-se com os postos de saúde. Como os filhos estudam em escolas particulares ou no exterior, pouco importam-se com a educação pública. Como viajam em jatos particulares, não padecem nos aeroportos e não morrem nas estradas. São meros especialistas em viver bem, sem esforço ou mérito, às custas da miséria alheia. Comem, dormem e riem, quando deveriam se envergonhar e chorar.

O Brasil é um imenso fosso de desigualdade. E não estou falando da desigualdade social. Essa existe em qualquer lugar do planeta, em proporções maiores ou menores que a nossa. Me refiro à fenda quilométrica que separa a Sociedade Civil da casta do serviço público Municipal, Estadual e Federal, no Executivo, Legislativo e Judiciário. Ano após ano, governo após governo, legislatura após legislatura, os poderosos cada vez mais ricos e felizes, a sociedade cada vez mais pobre e desesperada. Os poderosos cada vez mais livres, a sociedade cada vez mais presa.

A corrupção, bem ou mal, está sendo enfrentada. Sem dúvida um alento. Contudo, como escandalosamente escancarado, o judiciário continuará protegendo os barões e a impunidade seguirá imperando. Magistrados corruptos e amigos dos bandidos são o que não falta. Sobretudo nas esferas mais elevadas, onde os próprios criminosos os nomeiam. Mas a maior parcela da culpa vem do antro brasileiro da criminalidade; do Congresso Nacional. É lá que as leis são redigidas, aprovadas e alteradas, sempre de modo a proteger àqueles quase 600 picaretas.

Sai Renan, que emplacou ontem seu 13º inquérito no Supremo, entra seu capataz Eunício. Juntos, emplacam Lobão na presidência da CCJ, a mais importante comissão do Senado. Sai Cunha, preso, entra Maia, que recebe doações eleitorais em troca de leis. Dez dos treze senadores que aprovarão o nome do novo ministro do STF estão na Lava Jato. Mais de 2/3 da Câmara responde a algum processo judicial. O atual Presidente da República repete sua antecessora e blinda um aliado com o cargo de Ministro de Estado.

Ficam as perguntas: se os que fazem as leis são bandidos, o que esperar senão mais criminalidade? Se quem julga os bandidos são seus aliados, o que esperar senão mais impunidade? Se os ocupantes das Casas Executivas vêm do Legislativo, o que esperar senão mais corrupção? Por fim, a pergunta mais doída de todas, a mãe de todas as questões: Se quem elege esta canalha toda são saqueadores, o que podemos esperar de nós mesmos?