Incêndio em fábrica de polissilício pode elevar preço de módulos fotovoltaicos

 Segundo nota divulgada pela Associação da Indústria de Silício da China, incidente já reflete no preço de polissilício.

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Um incêndio na East Hope, fabricante chinesa de polisilício, deve interromper a produção por cerca de um mês. É estimado que a paralisação afete a produção de 2,5 mil toneladas métricas de polissilício. Ao todo, a fábrica possui capacidade de mais de 70 mil toneladas métricas.

polissilício é a principal matéria-prima para a fabricação de células fotovoltaicas poli e monocristalinas.

As informações são da Rede Internacional de Energia, agência chinesa de notícias sobre o mercado fotovoltaico.

Segundo nota divulgada pela Associação da Indústria de Silício da China, este incidente já reflete no preço de módulos.

“O aumento desta semana no preço do polissilício deve-se principalmente a uma paralisação de manutenção não planejada de uma empresa em Xinjiang [East Hope], que levou à interrupção repentina de alguns de seus pedidos de longo prazo. Com o aumento, três novas empresas planejam reformular o trimestre. Para resumir, o preço do material de silício continuou a subir acentuadamente esta semana”, afirmou em comunicado.


Ainda de acordo com a associação, o preço médio de transação do polissilício é de 42,73 US$/kg. No começo de junho, segundo a Associação da Indústria de Silício da China, o preço médio era de 39,74 US$/kg.

“O ocorrido acaba estressando ainda mais uma cadeia de produção bastante pressionada pela dificuldade de oferta concomitante à alta demanda. Visualizamos um cenário desafiador para o segundo semestre dado que tipicamente ocorre um aumento no ritmo de instalações dos projetos na China nesse período, pesando no lado da demanda”, avaliou Felipe Santos, gerente de Produtos LATAM da Canadian Solar.

Indústria fotovoltaica

Segundo Bernreuter Research – empresa norte americana de pesquisa da indústria de polisilício, fotovoltaica e semicondutores – a China domina a cadeia de produção polissilício, sendo que as sete maiores fabricantes do insumo possuem capacidade de produção de cerca de 736 mil toneladas métricas por ano.

De acordo com o último levantamento, esse montante das empresas chinesas corresponde a mais de 70% da produção mundial.



último levantamento da Bernreuter Research, mostra que a China produz mais de 600 mil toneladas métricas, sendo que a East Hope é responsável por 70 toneladas métricas por ano e é a quinta fabricante no ranking das maiores fabricantes de polissilício da China. Veja as maiores fabricantes de polissilício.

  1. Tongwei – 205.000 toneladas métricas;
  2. GCL Technology – 140.000 toneladas métricas;
  3. Daqo New Energy – 140.000 toneladas métricas;
  4. Xinte Energy – 100.000 toneladas métricas;
  5. Xinjiang East Hope – 70.000 toneladas métricas (empresa que registrou o incêndio);
  6. Asia Silicon (Qinghai) – 52.000 toneladas métricas;
  7. Shaanxi Non-Ferrous Tianhong – 19.300 toneladas métricas;

Entenda o incêndio

O fogo atingiu a fábrica no dia 17 de junho e, de acordo com relatos da mídia chinesa, foi provocado pelo vazamento de um superaquecedor na unidade de hidrogenação de parte da planta da East Hope, localizada no Parque Industrial de Wucaiwan, na Zona de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico de Zhundong, em Xinjiang, no noroeste da China.

De acordo com a Bernreuter Research, entre os meses de verão na China – junho a setembro – aumenta o risco deste tipo de incidente, visto que os meses desta estação são um período de alto risco para a produção de polissilício. 

“Além do clima quente, os fabricantes de polissilício estão operando a todo vapor devido à escassez de oferta e aos altos preços. Isso pode afrouxar a atenção às questões de segurança”, disse Bernreuter.

Ainda de acordo com o Bernreuter, junho é o mês de produção segura nacional na China. “Em 13 de junho – apenas quatro dias antes do acidente na East Hope – um grupo de especialistas do Ministério chinês de Gerenciamento de Emergências visitou a fábrica para fornecer orientações e realizar um simpósio. Obviamente, não foi suficiente para evitar o acidente”, informou.

Explosão em fábrica na China

Há cerca de dois anos, dois outros fabricantes de polissilício também sofreram acidentes, e ambos também estão localizados em Xinjiang: em 1º de julho de 2020, ocorreu um pequeno incêndio na fábrica de Daqo New Energy; em 19 de julho de 2020, uma série de explosões atingiu a fábrica de Xinjiang GCL.

Na ocasião, o Canal Solar mostrou que o preço do material polissilício aumentou 20%. O acréscimo se deu em função das explosões que aconteceram na fábrica da GCL-Poly, em Xinjiang, na China, um dos principais produtores mundiais de silício policristalino.

De acordo com a empresa, a sobrepressão no filtro de retificação e remoção de boro durante a manutenção do equipamento pode ter causado o vazamento de gás triclorossilano, que, por sua vez, reagiu explosivamente com a umidade do ar. O banco de investimentos da Califórnia Roth Capital Partners relatou ainda na época que, após o incidente, foram retiradas 50 toneladas métricas de capacidade de produção de células policristalinas, e  impactou em uma redução de 10% do suprimento global de matéria-prima de energia solar.


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